Intenção de compra mantém aquecido setor de condomínios horizontais na Região Metropolitana

Relatório produzido sobre dados referentes ao primeiro trimestre de 2026 para ADU-GO revelam que setor opera com baixa de estoques, no qual vendas ainda superam oferta

26 de maio de 2026 às 10:46

A Associação dos Desenvolvedores Urbanos de Goiás (ADU-GO) recebeu, na tarde desta segunda-feira (25), os dados da Pesquisa de Intenção de Compra referentes ao primeiro trimestre do mercado de loteamentos horizontais da Região Metropolitana de Goiânia referentes ao primeiro trimestre de 2026. De acordo com os números, o setor continua a operar com baixa de estoque, provocado por um número de vendas superior à oferta.

Segundo o consultor Marcelo Gonçalves, representante da Brain Inteligência Estratégica – empresa responsável pela pesquisa -, o setor opera com um índice de 49% de intenção de compra de lotes no primeiro trimestre deste ano. Para o profissional, a demanda superior à oferta consegue manter um alto nível de rentabilidade no setor graças à uniformidade do mercado, não só em Goiânia, mas em cidades como Senador Canedo, que liderou o desempenho no período em apreço.

A expansão das áreas de loteamento ao longo dos últimos anos, sobretudo, na direção das rodovias GO-220 e GO-010. Entretanto, a transformação da intenção de compra em venda efetiva permanece ligada a fatores macroeconômicos, da expectativa gerada em torno do comportamento da taxa Selic a notícias referentes ao mercado financeiro, tais como aquelas referentes ao Banco Master.

“Sempre que uma instabilidade no cenário macroeconômico se instala, e principalmente se ocorre no mercado financeiro, sabemos que as pessoas se voltam para o mercado imobiliário. O imóvel é visto como um investimento seguro em momentos de instabilidade econômica”, avalia. Para Gonçalves, esse aspecto é comprovado pelo fato de o índice de intenção de compra no período ter chegado ao pico de 50%, justamente, quando as notícias acerca do escândalo do Banco Master circularam na mídia com maior intensidade.

Quanto à evolução dos juros, a expectativa do setor era a de uma baixa maior da taxa Selic. “Para 2026, nós esperávamos um índice de um dígito, ou próximo disso”, comenta o presidente da ADU-GO, João Victor Araújo. O dirigente salienta que o fato de a Selic ter recuado apenas 0,5% (dos 15% do final de 2025 para 14,5% no final de abril deste ano) tende a reforçar uma maior cautela do comprador. “Quando o nível geral de preços aumenta, torna-se mais difícil para o consumidor converter sua intenção de compra em aquisição de imóvel”, observa.

Entretanto, Araújo salienta que o período tende a fechar com uma continuidade do mesmo crescimento verificado nos períodos anteriores. Além da manutenção dos preços causada pela diminuição do estoque disponível de loteamentos, as expectativas geradas por algumas variáveis macroeconômicas podem manter alta a demanda.

“Não sabemos ainda qual pode ser o efeito prático, por exemplo, do Desenrola 2. Se formos comparar o cenário que temos hoje com o de 2015-16, quando não tínhamos sequer intenção de compra por conta do alto nível de desemprego, tudo indica que teremos um ano desafiador mas com boas perspectivas para as vendas”, conclui o presidente da ADU-GO.

Pelo lado da oferta, João Victor concorda com a avaliação de Marcelo Gonçalves. Se, por um lado, a alta taxa de juros dificulta o investimento em imóveis por aumentar o custo de oportunidade diante das possibilidades oferecidas pelo mercado financeiro, as próprias preocupações geradas nesse ramo da economia reforçam o mercado de imóveis como uma espécie de porto seguro contra a instabilidade no mercado de capitais. “Qualquer insegurança no mercado financeiro mantém o interesse em investir no mercado imobiliário”, salienta.